Guedes compara servidores a parasitas ao defender reformas econômicas

Ministro alegou que, mesmo com a crise fiscal brasileira, os servidores continuam recebendo reajustes anuais, como se fossem parasitas se aproveitando de um hospedeiro que já está morrendo

Por Correio Braziliense 07/02/2020 - 16:07 hs
Foto: Marcos Correa/PR

O ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou os servidores públicos a "parasitas" ao defender as reformas econômicas que alteram as regras do funcionalismo público nesta sexta-feira (8/2). Ele alegou que, mesmo com a crise fiscal brasileira, os servidores continuam recebendo reajustes anuais, como se fossem parasitas se aproveitando de um hospedeiro que já está morrendo.

 

"O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação. Tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo. O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático. Não dá mais", reclamou Paulo Guedes que foi aplaudido ao fazer essa defesa das reformas econômicas em um seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro.

 

Guedes recebeu os aplausos alegando que a população não aceita mais essa situação. Ele citou, então, uma pesquisa do Datafolha que mostrou que 88% dos brasileiros é a favor da avaliação do funcionalismo público. "São a favor da demissão do funcionalismo público, da reforma administrativa. Estão na frente da gente", disse.

"Nos Estados Unidos, o cara fica quatro, cinco anos sem dar reajuste e, de repente, quando dá o reajuste, todo mundo fica 'oh, muito obrigado'. Aqui é obrigado a dar porque o dinheiro está carimbado e ainda leva ovo, não pode andar no avião", acrescentou o ministro, sugerindo que o dinheiro destinado no reajuste do funcionalismo poderia ser usado para resolver outros problemas orçamentários do Brasil, como o corte dos gastos com saúde e educação. "Tá faltando dinheiro nos municípios, mas o dinheiro está bloqueado", reclamou.

 

Guedes admitiu, por sua vez, que, como determinou o presidente Jair Bolsonaro, a proposta de reforma administrativa do governo não vai mexer nos direitos dos servidores atuais. O objetivo do texto, que será enviado ao Congresso na próxima semana, segundo Guedes, é desenhar um novo modelo de funcionalismo público que corrija essas distorções no futuro.

 

Os servidores atuais, contudo, poderão ser atingidos por outra reforma proposta pelo governo: a PEC da Emergência Fiscal, que determina a suspensão dos reajustes e das promoções do funcionalismo público em caso de emergência fiscal. Segundo o governo, a União e mais 14 estados poderão fazer uso desses gatilhos de contenção de gastos da PEC Emergencial.

Por Marina Barbosa