Governo de MT já alertava sobre a falta de Soro Antiofidico no estado desde junho deste ano

Em Santa Terezinha uma senhora faleceu no final de agosto, picada por uma cobra e o soro não chegou em tempo para salva-la.

Por João Evilson 05/09/2019 - 00:35 hs
Foto: Reprodução

O Governo de Mato Grosso através da Secretaria de Saúde publicou uma nota na terceira semana do mês de junho, que não haveria distribuição do soro antiofídico na rotina para os municípios nos meses de junho e julho e parece que se estende até agora no início deste mês, pois uma senhora de 70 anos de idade,  Divina Paiva da Silva do município de Santa Terezinha faleceu na última semana de agosto picada por uma cobra na comunidade da P.A Porto Velho e a mesma  não recebeu o soro em tempo hábil porque estava em falta no hospital municipal e  ela foi levada ao hospital pelos familiares depois de 24 horas do acidente.


Dona Divina Paiva da Silva de Santa Terezinha, vítima de animal peçonhento.

Ela foi transferida para o Hospital Regional de Confresa e recebeu doses de soro vindas das cidades de Vila Rica e São Felix do Araguaia, más não resistiu e veio a falecer. Segundo informações de familiares, a Sra Divina foi apanhar umas lenhas no quintal de sua casa e foi picada pela cobra, ela correu para a casa e falou que tinha sido picada, más ao lavarem suas pernas não localizaram o local da picada, levaram ela ao Hospital Municipal no dia seguinte aonde foi realizado o exame de coagulograma e constatou a presença do veneno. Em seguida foi encaminhada imediatamente ao Hospital de Confresa, más já tinha passado muito tempo para tomar a primeira dose do soro.


A Falta do imunobiótico ocorrre devido ao adiamento do cronograma de entrega ao Ministério da Saúde por parte dos laboratórios produtores desabastecimento, os soros antibotrópico (pentavalente), anticrotálico (SABC) e antiaquético (SABL) não serão distribuídos aos estados. De acordo com a gerência de Vigilância em Agravos Imunopreveníveis da SES, desde 2013 Mato Grosso vive esse cenário de desabastecimento dos soros antiveneno, com uma redução mensal de mais de 50% na quantidade repassada pelo Ministério da Saúde.

Diante do desabastecimento e das características geográficas e sazonais do estado, a gerência de Vigilância em Agravos Imunopreveníveis utilizará o estoque atual de soro antiveneno de forma que cada região receba um quantitativo mínimo, além de manter na rede de frio central um estoque estratégico mínimo para atender os casos notificados.

Más esse problema se arrasta desde 2015, quando o país começou a sofrer com a escassez de soros antibotrópicos (usado em acidentes com cobras como jararacas, jararacuçus, urutus-cruzeiro e caiçacas), antiescorpiônicos e antirrábicos e a população não vem sendo alertada pelos órgãos competentes para essa grave situação, pois o território brasileiro é muito populoso de espécies peçonhentas em todas as regiões.

A dificuldade começou quando os institutos Butantan (São Paulo) e Vital Brazil (Niterói-RJ), dois do quatro produtores de imunizantes espalhados pelo Brasil, entraram em reforma para se adequar a um conjunto de medidas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), conhecido como Boas Práticas de Fabricação. Após a finalização das obras na estrutura localizada em São Paulo, foi a vez de outros dois centros passarem pelas adaptações: a Fundação Ezequiel Dias (Funed), situada no Bairro Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte, e o Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI), no Paraná. Ou seja, desde o fim de 2014, os estados da federação não recebem regularmente os soros.

 No caso da Funed, a unidade está em obras desde 2017. Segundo a administração, a fundação já passou por reestruturações físicas no prédio do Bloco 2 e por qualificações de áreas, equipamentos e sistemas relacionados à produção de soros. Contudo, a modernização do sistema de pré-tratamento, geração, armazenamento e distribuição de água no padrão injetável ainda não está finalizado. A previsão é que as intervenções sejam concluídas ainda este ano. “Todas as reestruturações ocorridas na planta da Funed foram feitas com recursos próprios. A exceção foi o sistema de tratamento de água, custeado pelo Ministério da Saúde”, disse o presidente da fundação estadual, Maurício Abreu Santos.


Todas as alterações pelas quais os institutos produtores de soros precisam passar estão previstas nas resoluções 16 e 17, ambas de 2010, publicadas pela Anvisa. Os documentos dispõem sobre o padrão de qualidade adequado para a fabricação de medicamentos de uso humano. “Esperamos até o final deste ano termos todas as nossas pendências concluídas, assim como nossa área certificada em Boas Práticas de Fabricação pelos órgãos reguladores, e a consequente retomada dos processos produtivos de soros”, afirma Maurício Abreu Santos.

 A logística dos soros é simples: eles são produzidos nos centros de referência e repassados ao Ministério da Saúde. O órgão do governo federal repassa o material para o Instituto Nacional de Controle de Qualidade e Saúde (INCQS/Fiocruz), que aprova ou não o produto quanto ao padrão de qualidade. Depois, os soros vão para as secretarias estaduais de Saúde. A quantidade para cada estado é definida de acordo com parâmetros técnicos, como o número de acidentes ocorridos e notificados no ano anterior. Cabe aos órgãos estaduais repassar as substâncias aos municípios. 

 Em nota, o Ministério da Saúde confirmou que a produção de soros não tem sido suficiente no país, mas culpou as “diversas reprogramações de entrega” da Funed e do Instituto Vital Brazil. O órgão informou que ampliou o contrato com o Instituto Butantan, que já concluiu as adequações de suas dependências, com objetivo de a estrutura paulista aumentar sua produção. No entanto, as ampolas fabricadas pela unidade de São Paulo não foram suficientes para repor o que era anteriormente disponibilizado pelas estruturas em reforma.

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 COM A ESCASSEZ DO SORO, TODOS DEVEM TOMAR ALGUNS CUIDADOS PREVENTIVOS.

Prevenção

Em locais propícios à presença de animais peçonhentos, deve-se utilizar equipamentos de proteção individual (EPI), como luvas de couro e botas de cano alto ou com perneiras. Não colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras. Adotar medidas preventivas quando realizar atividades de limpeza, deslocamento de móveis e outros objetos, pois serpentes, escorpiões e aranhas podem estar nas frestas, superfícies ou cantos. Examinar calçados e roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las.

Nos sítios e chácaras manter uma área limpa em volta da casa, sem mato e, quando for aos pomares, seguir as orientações dos hábitos desses animais, pois a maioria deles gosta de ficar em cascas de árvores, escondidos entre as folhas do solo, debaixo de pedras, em locais úmidos e escuros.

Os animais peçonhentos injetam veneno pelo ferrão, dente, aguilhão e cerda urticante. Ao encontrar algum animal peçonhento em qualquer situação, afaste-se com cuidado, evite assustá-lo ou tocá-lo, mesmo que pareçam mortos.

Na ocorrência de acidente, mantenha a vítima calma, evitando movimentos desnecessários, e com o membro acometido mais elevado em relação ao restante do corpo, caso seja possível. A vítima deve ser levada o serviço de saúde do SUS com urgência. Se possível, e caso não apresente risco de um novo acidente, o animal agressor deve ser levado com a vítima.

A identificação do animal responsável pelo acidente facilita o diagnóstico e tratamento. 

Com informações do Ministério da Saúde e Governo de Mato Grosso