Asfalto da Br 158 deve passar mesmo no traçado original pela terra indígena Marãiwatsédé

O governador destacou que já existem outras dezenas de terras indígenas cortadas por asfalto e, que isso, não trouxe nenhum problema a essas comunidades indígenas.

Por Diário de Cuiabá 19/08/2019 - 10:26 hs
Foto: Reprodução

O governo federal deve concluir o asfaltamento da BR-158 pelo traçado original, pondo fim a qualquer movimento pelo entorno da rodovia no trecho que atravessa a reserva indígena Marãiwatsédé, na região nordeste de Mato Grosso. Nesse ponto da estrada, passam diariamente cerca de 5 mil veículos, entre carretas, caminhões e carros de passeios. Na época da seca, a visibilidade é praticamente zero.

De acordo com o governador Mauro Mendes, em audiência realizada em Água Boa, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, já teria informado que o denominado “Contorno Leste”, que desviaria o trajeto das terras indígenas dos índios Xavantes, será descartado pelo atual governo de Jair Bolsonaro.

“Ele (Gomes) disse textualmente que vai persistir na BR-158 passando pela terra indígena. Eu particularmente concordo muito com ele. Primeiro por que os índios querem o asfalto passando por lá. Segundo por que nós somos um país que temos milhares de pessoas morrendo sem remédio e morrendo de fome e não podemos gastar R$ 600 milhões para fazer um desvio”, disse Mendes durante entrevista à imprensa.

O governador destacou que já existem outras dezenas de terras indígenas cortadas por asfalto e, que isso, não trouxe nenhum problema a essas comunidades indígenas. “Se há algum impacto, eles podem ser devidamente estudos, mitigados e criados mecanismos de compensação. Isso é o que estabelece a legislação”, afirmou.

Para ele, é preciso acabar com a hipocrisia ambiental no país. “Tem muita gente falando de meio ambiente, algumas ongs (por exemplo), sem nunca ter feito uma ação concreta de preservação do meio ambiente. Nós sabemos que muitas são sérias, que têm algumas que realmente colaboram, mas têm muitas defendendo interesses que nós sabemos que não são os maiores e melhores interesses dos brasileiros. A consciência ambiental tem que ser nossa e de todo o cidadão brasileiro. Sempre defendi isso e agi dessa forma”, afirmou.

A BR-158 tem início no estado do Pará e vai até o Rio Grande do Sul, próxima à fronteira do Brasil com o Uruguai. Em Mato Grosso, a rodovia corta a região nordeste do estado, passando por cidades como Vila Rica, Confresa, Porto Alegre do Norte, Ribeirão Cascalheira, Água Boa, Nova Xavantina e Barra do Garças.

Com 165 mil hectares, a área já foi alvo de disputa no passado e hoje está registrada em nome da União. Em 2013, o governo federal deu posse plena da terra aos Xavantes. O chamado “Contorno Leste”, traçado a partir de um acordo entre a Fundação Nacional (Funai), o Instituto Brasileiro (Ibama) e o Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) aumenta o trecho em 90 quilômetros.

Esse aumento recebe críticas de produtores e de empresários, que alegam aumento no custo do frete uma vez que a região em questão é rota de escoamento de boa parte da produção de grãos do Estado. As obras naquela região estão paradas há quase 10 anos.

Vale lembrar que a audiência pública em Água Boa aconteceu em junho passado. Na oportunidade, foram discutidas propostas e projetos de infraestrutura e logística, que visem associar a construção da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), com as rodovias estaduais e federais no âmbito do estado. A conclusão da FICO também é apontada como uma grande conquista para a população do Araguaia, além de promover a logística, vai levar oportunidade de emprego e desenvolvimento para a região.

Por José de Deus