Jovem se suicida em Vila Rica logo após deixar mensagem no Facebook

Segundo informações, o jovem sofria de depressão. Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano — sendo a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos, entenda a doença:

Por João Evilson 16/04/2019 - 08:25 hs
Foto: Reprodução/Facebook

Vitor Manoel Soares da Silva de 19 anos,  tirou a própria vida na tarde de segunda-feira (15/04).

O jovem deixou uma mensagem em sua página no Facebook minutos antes de tirar a própria vida por enforcamento. A mensagem fala da sua decisão de acabar com a própria vida.

Na mensagem o rapaz afirma

 "um aviso: depressão mata, amor mata, saudade mata, solidão mata, tristeza mata, o medo mata, ansiedade mata..."


Segundo informações, o jovem sofria por um amor não correspondido e estava depressivo.

Veja como é a depressão e o que fazer quando diagnosticar os sintomas em uma pessoa.

“A distimia ou depressão leve é uma doença silenciosa. Hoje, entretanto, 6% da população mundial são acometidos por esse quadro. O indivíduo sofre calado e é comumente caracterizado como uma pessoa rabugenta ou mal-humorada

Você já se sentiu triste, angustiado e perdeu o interesse pelo que mais gosta de fazer? Se essas situações pendurarem com muita intensidade e por várias semanas, você pode estar com depressão. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que a doença acomete 350 milhões de pessoas no mundo todo e é a principal causa de incapacidade. No Dia Mundial da Saúde, lembrado nesta sexta-feira (7), a OMS deu início a uma campanha sobre o transtorno, que pode afetar pessoas de qualquer idade em qualquer etapa da vida.

Ao longo das últimas décadas, a classificação dos sintomas e o próprio diagnóstico da depressão registraram avanços significativos – a doença deixou de ser considerada banal, uma espécie de momento de fraqueza ou mesmo frescura, e chegou a ser referendada por diversas entidades médicas de cunho internacional como o mal do século. No Dia Mundial da Saúde, lembrado hoje (7), o transtorno foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como tema prioritário e de suma importância.

Para o diretor executivo e professor do Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica, Ciências Humanas e Sociais, João Nolasco, falar sobe depressão, conforme recomenda fortemente a própria OMS, deve ser o primeiro e mais importante passo não apenas para que fique claro que há tratamento para a doença – figura também como uma estratégia essencial para garantir o diagnóstico precoce, evitar o agravamento do quadro e, consequentemente, reduzir o número de casos crônicos do transtorno.

“A distimia ou depressão leve é uma doença silenciosa. Hoje, entretanto, 6% da população mundial são acometidos por esse quadro. O indivíduo sofre calado e é comumente caracterizado como uma pessoa rabugenta ou mal-humorada. Atualmente, sabe-se que não se trata só de uma característica de humor ou temperamento. A pessoa está sempre triste, tudo é ruim, nada está bom. É alguém que não sente prazer ao realizar suas atividades rotineiras, mas consegue conviver, não se prostra”, explicou.

Confira, na íntegra, a entrevista com o psicanalista sobre a importância do diagnóstico precoce como estratégia para combater quadros crônicos de depressão:


 Dentro de um conceito psicanalítico, a grande prevenção da depressão gira em torno de a pessoa compreender a si mesma, já que a doença mexe com o que chamamos de falta de gerenciamento das emoções. Quando a gente não consegue ter essa percepção ou essa capacidade de gerenciar as emoções em torno do que acontece ao nosso redor, vão surgir diversos sentimentos e mecanismos de defesa. E um desses mecanismos pode se transformar em uma neurose ou em uma depressão. É uma espécie de baixa polaridade. Esse indivíduo se recolhe e, de alguma forma, quer fugir daquela dor.

 Nesses casos, a reação deve ser sempre a busca pela psicoterapia. Em alguns casos, claro, se fazem necessários a entrada de medicamentos e o atendimento psiquiátrico. Mas a psicoterapia não pode faltar nunca, para que o indivíduo comece a compreender os porquês de tudo isso que acontece com ele. Trata-se de uma oportunidade para que consiga mudar. É como Sigmund Freud costumava dizer: quando a dor de não estar vivendo for maior do que o medo da mudança, a pessoa muda. Partimos desse princípio: a gente tem que fazer essa caminhada dentro de nós mesmos. Afinal, viver triste, prostrado e mal-humorado não é legal para ninguém.

 As perguntas que sempre faço aos meus pacientes são: onde você estava? Onde está agora? E onde quer chegar? Também é preciso questionar-se: Quem você era? Quem você é agora? E quem você quer ser? Isso abre portas para novas descobertas e se revela como uma oportunidade de rever a vida. A depressão leve pode aparecer como uma espécie de primeira fase para um processo de depressão severa ou crônica. Isso porque o quadro pode se agravar e se tornar muito mais intenso. Tanto é que levamos em torno de dois anos, desde o aparecimento dos primeiros sintomas, para chegar ao diagnóstico de distimia.

 As pessoas ainda confundem muito a tristeza com a depressão. Apesar da aparente contradição, é importante saber que o indivíduo, para ser feliz, precisa ter tristeza. Só que essa tristeza tem dia, hora e local para surgir. E sair dela deve ser um processo natural, assim como entrar nela foi um processo natural. O processo depressivo, na verdade, só se agrava devido à proporção com a qual se vive essa tristeza. Quanto mais tempo o paciente leva para procurar ajuda, mais comprometido física e emocionalmente ele vai ficar. Às vezes, ele próprio não tem essa percepção. Vai indo, vai indo e, quando vê, já está totalmente tomado pelo problema.

Segundo o psiquiatra e professor associado de psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Miguel Jorge, quando as pessoas começam a sentir tristeza, melancolia, desânimo, desinteresse pelo que costumam fazer, elas tendem a se isolar, a não querer mais contato social e acabam vivendo esse sofrimento de natureza psicológica de forma individualizada. E, muitas vezes, são acusadas de serem fracas e preguiçosas.

— Obviamente, isso só agrava ainda mais a situação e faz com que elas não recebam o tratamento adequado. Na medida em que se passa a falar sobre o tema, essas pessoas começam a perceber que não são as únicas a experimentar essas sensações e que existe tratamento. Abrem-se portas para conversar com amigos e familiares e, eventualmente, sejam encorajadas a procurar atenção profissional.

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De acordo com a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), braço da OMS na América Latina, a depressão é um transtorno mental frequente. A doença acarreta à pessoa afetada um grande sofrimento e disfunção no trabalho, na escola ou no meio familiar. A incidência da doença está em ascensão no mundo todo, conforme explica o psiquiatra e especialista em psiquiatria geral pela Associação Brasileira de Psiquiatria Mario Louzã.

— Existem alguns indícios de aumento de depressão. Mas é preciso separar se as pessoas estão sendo mais diagnosticadas, se é aumento real ou se é só percepção maior da doença. Isso não é fácil de descobrir. No século atual, foi crescendo a pressão sobre o ser humano, que está mais sobrecarregado. Talvez seja um fator que contribui para a depressão, mas não o único. São múltiplos fatores que podem provocar a doença em pessoas mais vulneráveis. Não dá para afirmar se o número de diagnósticos vai continuar crescendo.

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Ainda segundo a OPAS, a depressão resulta de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Pessoas que passaram por eventos adversos durante a vida, como desemprego, luto, trauma psicológico, são mais propensas a desenvolver a doença. Também há relação do transtorno com a saúde física. Por exemplo, doenças cardiovasculares podem levar à depressão e vice e versa.

Na pior das hipóteses, a depressão pode levar ao suicídio. Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano — sendo a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos, informa a psicóloga e coach de bem-estar Rosalina Moura.

— O suicídio acontece muitas vezes porque não foi dada atenção aos sinais de que a pessoa estava se desconectando com a vida, perdendo a energia ou a ligação com o que era importante. A sensação de solidão é muito grande. Falar do assunto é muito positivo. Quanto mais se fala de assuntos tabu menor é a sensação de solidão dessas pessoas, que podem perder a vergonha e o medo de falar sobre o problema.

"Vamos conversar"

Para a psicóloga, na medida em que a imprensa e a mídia em geral passaram a falar de depressão, pânico, fobia, ansiedade, se reduz um pouco o estigma relacionado às doenças mentais e emocionais.

— Conhecendo melhor o tema você tem a possibilidade de reduzir o preconceito da doença para que a pessoa procure ajuda o mais rápido possível. Às vezes, o preconceito está dentro delas mesmas e não procuram o psiquiatra para tratar ou da família, que pode pensar que não é nada, que é frescura, que vai passar.

É necessário tentar fazer com a pessoa entenda que a depressão é uma doença como outra qualquerThinkstock

Como a depressão tem muitos níveis e graus, muitas vezes quem é mais próximo nem percebe que o outro está deprimido, ressalta Rosalina.

— É muito comum familiares, pais e amigos enxergarem a pessoa com quadro depressivo instalado como vagabundo ou que não quer nada com nada. Não existe a identificação da doença, que precisa ser tratada. A depressão é além de tristeza. A pessoa deprimida tem alteração bioquímica cerebral e precisa de ajuda. Em muitos casos, ela não vai buscar ajuda sozinha por causa do preconceito ou não consegue identificar a possibilidade de pensar que algo está errado. A saúde mental é vista como algo menor, com menos valor ou importância.

E como posso ajudar?

De acordo com a psicóloga Rosalina Moura, em primeiro lugar, é necessário tentar fazer com a pessoa entenda que a depressão é uma doença como outra qualquer.

— Por uma doença emocional, muitas vezes, a depressão é vista como se não fosse real. Por isso, tem que trazer compreensão ao invés de acusação. Em alguns casos, a pessoa com depressão consegue conviver com a doença e não busca tratamento, justamente por esse preconceito de olhar o problema como falta de força de vontade, falta de desejo de agir. Uma abertura para ajudar é muito importante, se colocar ao lado. A pessoa se desconecta da vida.

Para o psiquiatra Miguel Jorge, é necessário construir um ambiente de comunicação e conversar, não necessariamente sobre a depressão.

— A partir disso, tem que mostrar a ela o que está acontecendo acomete milhões de pessoas no mundo todo. Pouco a pouco a convence a procurar ajuda médica, de qualquer especialidade, já que muita gente não quer ir ao psiquiatra por achar que é “médico de louco”. Pode ser mais fácil convencer a pessoa a ir em um clínico geral, que até poderia tratar de casos menos graves e, se necessário convencer a pessoa, a procurar um psiquiatra.

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O uso de medicamentos no tratamento vai depender da gravidade do quadro, explica Louzã.

— Apenas a psicoterapia pode ser suficiente para tratar uma depressão mais leve. Já se for um quadro moderado ou grave, tem que entrar com medicação porque vai demorar muito tempo para a terapia fazer efeito. A intervenção rápida é necessária principalmente quando o paciente está em risco. Em geral, a recuperação é total ao fim do tratamento. No entanto, a depressão é uma doença recorrente e pode voltar em outras situações, dependendo de cada caso.

Outro grande problema de combater a doença é o fato de pacientes abandonarem o tratamento depois de se sentir melhor e voltam a ter recaídas ou demoram para procurar tratamento, o que aumenta o risco de cronificação da doença, afirma o psiquiatra.

— Quanto mais recaídas, maior o risco de cronificação da doença. Por isso, tem que fazer o tratamento até o final, mesmo que já se sinta melhor. A doença também pode se tornar crônica porque a pessoa demorou muito para procurar tratamento. Aí quando se trata, a resposta terapêutica não é tão boa. Quanto antes se tratar, melhor a qualidade de vida.

Uma família foi encontrada morta dentro de um apartamento na zona leste de São Paulo, em 06/04/2017, em caso que chocou o País. Segundo os familiares, o homem estaria depressivo.  A depressão é uma doença que afeta 322 milhões pessoas pelo mundo, segundo dados de 2015 divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), ou cerca de 5% da população mundial.

Fontes: Agência Brasil, Juliana Cunha, do R7, GN Comunicação e Notícias