O que será? Astrônomos captam uma misteriosa rajada rápida de rádio recorrenteO que será? Astrônomos captam uma misteriosa rajada rápida de rádio recorrente

Essas ondas de rádio viajam por bilhões de anos através do universo com alta energia, partindo de galáxias distantes. Essas ondas de rádio viajam por bilhões de anos através do universo com alta energia, partindo de galáxias distantes.

Por Vip Araguaia 11/01/2019 - 10:34 hs
Foto: NASA

Boas novas no mundo da astronomia que não são trazidas pela NASA, que recentemente revelou imagens do objeto mais distante já observado, são incomuns. Ainda assim, cientistas canadenses detectaram 13 novas rajadas rápidas de rádio (FRB), que são basicamente misteriosos pulsos de energia que duram apenas uma fração de segundo e chegam até nós de origens desconhecidos, a bilhões de anos luz de distância. Um deles, no entanto, é recorrente, a segunda rajada rápida de rádio recorrente a ser documentada.

Os FRBs foram detectados pela primeira vez em 2002 e até hoje intrigam os astrônomos, que se esforçam para entender e conseguir explicar de onde se originam. As rajadas rápidas de rádio ocorrem por apenas alguns milissegundos e tem aparições imprevisíveis, o que torna a observação um tanto quanto difícil.

Essas ondas de rádio viajam por bilhões de anos através do universo com alta energia, partindo de galáxias distantes. As explicações mais populares para o fenômeno são estrelas de nêutrons girando com fortes campos magnéticos, conhecidos como magnetares, fusões de objetos muito densos, estrelas em colapso, buracos negros supermassivos, e até mesmo civilazações extraterrestres.

Ilustração de rajada rápida de rádio.

FRBs tendem a ser eventos fugazes, mas uma rajada rápida recorrente, conhecida como FRB 1211012, foi detecto pelo telescópio porto riquenho Arecibo em 2012. A descoberta foi muito importante, pois significava que sua fonte, e possivelmente de outras rajadas, não era uma explosão cataclísmica, mas sim algo que persiste com o passar do tempo.

Ainda tem muito o que ser descoberto a respeito de FRBs, mas algum material publicado nesta quarta-feira (09) está tentando identificar e analisar novas pistas sobre esse efeito enigmático do universo. Uma publicação fala sobre 13 rajadas rápidas de rádio, e uma delas, descrita em detalhes na outra publicação, é uma recorrente, a segunda a ser registrada.

As novas FRBs foram detectadas pelo Experimento Canadense de Mapeamento de Intensidade de Hidrogênio (CHIME). Projeto que começou em 2017. As treze rajadas foram identificadas durante um período de três semanas durante o inverno de 2018, quando os astrônomos ainda estavam fazendo o sistema ficar ligado e enquanto o CHIME ainda estava funcionando a apenas uma fração de sua capacidade.

O telescópio do CHIME.

Das treze novas FRBs, sete delas foram, inesperadamente, detectadas com uma frequência de 400 MHz, a menor frequência de rádio já medida para as rajadas. Elas costumam estar numa faixa de 1 400 MHz e a menor a ser observada anteriormente era de 700 MHz. O CHIME tem o intuito de identificar FRBs num intervalo de 400 a 800 MHz. Ainda assim, foi uma surpresa terem sido detectadas no espectro mínimo, o que leva a crer que podem haver outras rajadas com frequências ainda menores que a marca de 400 MHz.

 

Diferentes mecanismos de emissão esperam que as FRBs serão emitidas dentro de uma certa faixa de frequência de rádio, assim como uma lâmpada não pode emitir raios X ou um microondas não pode emitir luz ultravioleta. Ao detectar e caracterizar rajadas rápidas de rádio a diferentes frequências,nós podemos entender melhor quais teorias funcionam e quais não. Ainda é um campo muito novo, então é difícil colocar limitações concretas nas teorias, mas nosso trabalho é um novo passo nessa direção.

Afirmou o astrônomo Shriharsh Tendulkar, co-autor do novo estudo.

Além disso, as ondas de rádio ao viajar pelo espaço, interagem com os elétrons e campos magnéticos presentes no plasma intergalático e interestelar. Essas interações podem causar absorção, dispersão e muitos outros efeitos nas ondas de rádio. Efeitos esses que podem variar com a frequência, e muitos deles se tornam mais impactantes em frequências menores. É mais fácil, portante, medir e entender esses efeitos em menores frequências.Boas novas no mundo da astronomia que não são trazidas pela NASA, que recentemente revelou imagens do objeto mais distante já observado, são incomuns. Ainda assim, cientistas canadenses detectaram 13 novas rajadas rápidas de rádio (FRB), que são basicamente misteriosos pulsos de energia que duram apenas uma fração de segundo e chegam até nós de origens desconhecidos, a bilhões de anos luz de distância. Um deles, no entanto, é recorrente, a segunda rajada rápida de rádio recorrente a ser documentada.

Os FRBs foram detectados pela primeira vez em 2002 e até hoje intrigam os astrônomos, que se esforçam para entender e conseguir explicar de onde se originam. As rajadas rápidas de rádio ocorrem por apenas alguns milissegundos e tem aparições imprevisíveis, o que torna a observação um tanto quanto difícil.

Essas ondas de rádio viajam por bilhões de anos através do universo com alta energia, partindo de galáxias distantes. As explicações mais populares para o fenômeno são estrelas de nêutrons girando com fortes campos magnéticos, conhecidos como magnetares, fusões de objetos muito densos, estrelas em colapso, buracos negros supermassivos, e até mesmo civilazações extraterrestres.

Ilustração de rajada rápida de rádio.

FRBs tendem a ser eventos fugazes, mas uma rajada rápida recorrente, conhecida como FRB 1211012, foi detecto pelo telescópio porto riquenho Arecibo em 2012. A descoberta foi muito importante, pois significava que sua fonte, e possivelmente de outras rajadas, não era uma explosão cataclísmica, mas sim algo que persiste com o passar do tempo.

Ainda tem muito o que ser descoberto a respeito de FRBs, mas algum material publicado nesta quarta-feira (09) está tentando identificar e analisar novas pistas sobre esse efeito enigmático do universo. Uma publicação fala sobre 13 rajadas rápidas de rádio, e uma delas, descrita em detalhes na outra publicação, é uma recorrente, a segunda a ser registrada.

As novas FRBs foram detectadas pelo Experimento Canadense de Mapeamento de Intensidade de Hidrogênio (CHIME). Projeto que começou em 2017. As treze rajadas foram identificadas durante um período de três semanas durante o inverno de 2018, quando os astrônomos ainda estavam fazendo o sistema ficar ligado e enquanto o CHIME ainda estava funcionando a apenas uma fração de sua capacidade.

O telescópio do CHIME.

Das treze novas FRBs, sete delas foram, inesperadamente, detectadas com uma frequência de 400 MHz, a menor frequência de rádio já medida para as rajadas. Elas costumam estar numa faixa de 1 400 MHz e a menor a ser observada anteriormente era de 700 MHz. O CHIME tem o intuito de identificar FRBs num intervalo de 400 a 800 MHz. Ainda assim, foi uma surpresa terem sido detectadas no espectro mínimo, o que leva a crer que podem haver outras rajadas com frequências ainda menores que a marca de 400 MHz.

 

Diferentes mecanismos de emissão esperam que as FRBs serão emitidas dentro de uma certa faixa de frequência de rádio, assim como uma lâmpada não pode emitir raios X ou um microondas não pode emitir luz ultravioleta. Ao detectar e caracterizar rajadas rápidas de rádio a diferentes frequências,nós podemos entender melhor quais teorias funcionam e quais não. Ainda é um campo muito novo, então é difícil colocar limitações concretas nas teorias, mas nosso trabalho é um novo passo nessa direção.

Afirmou o astrônomo Shriharsh Tendulkar, co-autor do novo estudo.

Além disso, as ondas de rádio ao viajar pelo espaço, interagem com os elétrons e campos magnéticos presentes no plasma intergalático e interestelar. Essas interações podem causar absorção, dispersão e muitos outros efeitos nas ondas de rádio. Efeitos esses que podem variar com a frequência, e muitos deles se tornam mais impactantes em frequências menores. É mais fácil, portante, medir e entender esses efeitos em menores frequências.

Tendulkar explicou.

A nova recorrente é chamada de FRB 180814.J0422+73. Foram identificados seis rajadas recorrentes dessa fonte, todas oriundas do mesmo lugar no espaço, aproximadamente 1,5 bilhão de ano-luz da Terra, praticamente metade da distância da outra recorrente, a FRB 1211012. Além disso, a presença de uma segunda do mesmo tipo faz com que não seja mais considerado uma anomalia e os astrônomos esperam encontrar ainda mais repetidoras.


Emily Petroff, uma astrônoma da ASTRON, o Instituto de Astronomia de Rádio dos Países Baixos, e especialista em FRBs, considerou os métodos utilizados nos estudos foram "particularmente bons" e gostou de como os astrônomos da CHIME não tentaram interpretar demais os dados. Afirmou, também, que não ficou surpresa de outra rajada recorrente ter sido encontrada, mas sim com a velocidade com que acharam-na.

 

Eu acho que é um ótimo sinal para todas as pesquisas sobre FRBs que virão a tona no futuro próximo. Talvez as recorrentes não sejam tão raras quanto a FRB 1211012 nos levou a crer. Eu fico ansiosa pelo dia em que nós conheceremos centenas delas.

Ela disse pouco antes de afirmar sua surpresa com o quão veloz o CHIME encontrou tantas rajadas rápidas de rádio. Ainda mais ao frisar o fato de que as informações analisadas não eram os dados refinados, então ela mal pode esperar pelo que está aguardando pelos pesquisadores lá.

O astrônomo da Harvard, também se pronunciou a respeito dos resultados obtidos pela CHIME. Afirmou que os mesmos eram bons e confiáveis e declarou o CHIME como o mais prolífico caçador de FRBs do mundo.

 

A questão fundamental agora é se as recorrentes são diferentes em natureza ou escala se comparados às não-recorrentes. A princípio, talvez hajam dois tipos distintos de fontes, como é o caso de rajadas de raios gama (GRBs), onde GRBs de longa duração - mais do que alguns segundos - são ligados ao colapso de estrelas massivas e os de curta duração são ligados a fusão de estrelas de nêutrons.

Ele concluiu.

FONTE: NASA