Governadores do PSDB intervêm pela reeleição de Taques, mas apoiam Leitão

Diante dos fatos, Perillo e os outros governadores tucanos solicitaram que Alckmim atue como bombeiro em Mato Grosso.

27/12/2017 - 09:07 hs
Foto: reprodução

Os governadores tucanos, liderados pelo de Goiás Marconi Perillo, fizeram um apelo ao presidente nacional do PSDB Geraldo Alckmin, para que priorize o projeto de reeleição do governador Pedro Taques. No entanto, também sinalizaram a possibilidade de avalizar a candidatura do deputado federal Nilson Leitão ao Senado. O RD Newss apurou que Alckmin concordou em atuar como bombeiro em Mato Grosso. Os contatos com os correligionários locais devem iniciar nos próximos dias.

A iniciativa de Perillo, que teve o apoio dos governadores Simão Jatene (PA), Reinaldo Azambuja (MS) e Beto Richa (PR), busca apaziguar o PSDB mato-grossense. Alckmin, que é governador de São Paulo, recebeu telefonemas dos correligionários nessa segunda (25).

O racha no PSDB de Mato Grosso ficou evidente com a nota divulgada pelo diretório estadual, na sexta (22), acusando Taques dementir ao declarar que o PSDB fez imposição visando garantir mais cargos. O presidente estadual do PSDB Paulo Borges, que comanda a Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação (MTI), pediu exoneração do cargo. O pedido agravou a crise na legenda tucana.

Diante dos fatos, Perillo e os outros governadores tucanos solicitaram que Alckmim atue como bombeiro em Mato Grosso. Isso significa tentar convencer as lideranças que a prioridade para a reeleição de Taques não inviabiliza o projeto de Leitão ao Senado.

Como argumento para convencer Alckmin a intervir, alegaram que a aprovação de Taques cresceu 10% nas pesquisas para consumo interno realizadas em dezembro e que as políticas de austeridade financeria como PEC do Teto dos Gastos Públicos e renegociação das dívidas surtirão efeitos positivos em 2018. Ao mesmo tempo, consideraram que Leitão pode ser um candidato viável ao Senado pela liderança que construi junto ao agronegócio e outros segmentos econômicos.

As divergências políticas no PSDB iniciaram após Leitão expor a intenção de lançar sua candidatura ao Senado em 2018. Taques, por sua vez, entende que é inviável a sigla ocupar duas das quatro vagas na majoritária (governador, vice e dois senadores) porque limitaria espaços para os aliados, enfraquecendo o palanque.

Na eleição do novo diretório do PSDB estadual, Leitão conseguiu emplacar 19 dos 21 membros, incluindo Paulo Borges como presidente. Taques garantiu apenas a adjunta de Relação Políticas da Casa Civil Paola Reis e o vereador por Cuiabá Renivaldo Nascimento na composição.

O atrito fez com que o governado ficasse isolado dentro da sigla e até cogitasse uma possível mudança de partido. Ocorre que a idéia perdeu força justamente pela ação de Perillo e dos dirigentes nacionais do PSDB. Taques tem reiterado que não comenta sobre eleições antes da Semana Santa, adiando o debate para março. Leitão também evita falar sobre o assunto publicamente. 

Nos bastidores, Taques tem se mostrado inclinado a aceitar a candidatura de Leitão ao Senado. Com isso, pretende se fortalecer no PSDB e reconquistar o apoio maciço dos correligionários. Como argumento, Taques tem citado o exemplo das eleições de 1998. Naquele ano, Dante de Oliveira (já falecido) disputou a reeleição ao Governo do Estado com Antero Paes de Barros ao Senado. Os dois tucanos acabaram eleitos.

Por Jacques Gosch / RD News